Apresento aqui uma obra, cujo autor não consegui identificar, mas representativa de uma técnica com a qual conseguiu focar pormenores extraordinários. Na parte que me diz respeito, é um dos exemplos que sigo e tento aprofundar.
PORQUE A ESCRITA TAMBÉM É UMA ARTE EIS ALGUNS EXEMPLOS.
Como é sabido nutro por esta ave muita estima. Foi por elas que, na minha juventude, percorri quase todos os locais em que a sua presença parecia ser provável. Sempre que o fazia não ia só, levava comigo um grande companheiro, o cão. Só com ele é que se tornava possível saber se as grandes viajantes estavam ou não por cá. Veem em meados de Outubro, provenientes das regiões do norte da Europa, em busca de clima mais favorável para passar o Outono e Inverno. Por cá permanecem até quase Março, partindo então numa longa viagem de regresso. Dizem que alguns casais permanecem nas orlas dos Pirenéus. Não podem sobreviver por cá, devido essencialmente ao estio, que não permite a obtenção do seu peculiar alimento. A imagem que aqui vemos retirei-a dos arquivos da memória. Era uma manhã algo fria, nesses idos de Novembro, dos anos oitenta. Nada me faria esperar a presença daquela ave em voo tranquilo naquele local. Árvores dispersas e tranquilidade absoluta . Mais depressa do que levo a contar desapareceu entre a neblina.
| GALINHOLA EM VIAGEM |
Aguarela. 29,5 X 25
A quem interesse junto sob esta breve mensagem uma outra aqui no blog acerca da forma como idealizei este quadro.
Autor. José Pinto Lopes
( ... ) Mas as montanhas encerram ainda um tesouro único e muito especial. É lá como que cosidas com a vegetação, no interior das grandes e das pequenas grotas, na sombra, protegidas dos raios solares, do calor, do vento e da chuva, onde abunda mais frescura, onde o ar é mais húmido e pesado, lá, onde os vermes também se alimentam, que se escondem as galinholas. *
Extraído do livro do Dr: José Maria Da Cunha " Galinholas Nos Açores "
Caso interesse a citada obra eis a forma de a obter. https://forms.gle/oWdqsb6ALBQSja4x7
UMA DANÇA AO LUAR
Era uma noite, como algumas outras, para a galinhola.
Havia terminado há já uns dias o seu voo migratório e, à semelhança de outros anos procurou refúgio nos pinhais da beira mar. As dunas e o areal não lhe oferecem nem comida nem abrigo, mas para obter esses bens essenciais é inevitável atravessar algumas clareiras, que separam uns dos outros.
Durante o dia tem repousado sem percalços de monta. Um ou outro ruído, diferente da brisa ou do vento, algum caminhante solitário, nada mais.
Veio o crepúsculo e com ele a noite.
Noite bela, sem nuvens, luar que parece dia.
Decide, então, elevar-se e rumar aos prados que distam alguns minutos de voo.
Entra numa dessas clareiras e, subitamente, sente um som abafado junto de si.
Olha nessa direcção e esquiva-se com um golpe de asa, ao vulto que se aproxima.
Este por sua vez inicia uma acrobacia aérea tentando novo rumo de aproximação.
Notou a galinhola essa faculdade, respondendo com mais velocidade, dado que, dali,coisa boa não vinha com certeza.
A névoa, que entretanto se formara era agora sua aliada.
Decidido a fazer da galinhola uma presa requintada, digna dele, o rei da noite, o bufo, uma vez perdido o factor surpresa, acaba por se conformar com a recusa para aquela " valsa " da meia noite, por parte da rainha das florestas e toma novo rumo. Outras oportunidades e outros pares haverá para uma dança ao luar não tão esquivas como a humilde galinhola. *
Galinhola - Scolopax rusticola rusticola -
Aprecia os lodaçais à beira-mar, é uma ave solitária. Com seu bico reto e comprido, revira o lodo à procura dos pequenos invertebrados dos quais se alimenta (moluscos e vermes).
Bufo-real (Bubo bubo)
Habita em desfiladeiros,
montanhas e vales profundos de rios, como o Douro e o Sabor. É uma
espécie muito rara na Europa; em Portugal apenas devem existir algumas
centenas de casais.
* Texto : José Pinto Lopes
Uma oportunidade rara de se ver.
Duas galinholas elevam-se no bosque.
Este meu quadro, foi composto com base numa imagem que obtive na
internet, da qual gostei bastante, tendo dela feito uma composição,
mais a meu gosto.
O cão, que vemos ao fundo e, o referido espaço ( e as galinholas também
) são da minha " lavra," tendo dentro do imaginário que a pintura
permite e com as perspetivas que o meu talento naif descortinou na
imagem,obtido este resultado.
Se bom , se mau, cada um fará o seu juízo. Eu, e é o que interessa, (
desculpem-me a franqueza ) fiquei satisfeito com o resultado.
| UM CÃO DE GALINHOLAS |
Um misero lenhador,
Que oitenta invernos contava,
Com um feixe de lenha às costas
A passos lentos andava.
Pela idade enfraquecido,
Além do sustento escasso,
Tropeçou, caiu-lhe o feixe,
Fazendo um golpe num braço.
Depois com pranto nos olhos
Alguns alentos cobrou,
E refletindo em seus males,
Sentado, assim declamou:
![]() |
| O LENHADOR E A GALINHOLA |
![]() |
| A Morte |
*
E diz: " Mortal, que me queres ? "
Torna-lhe ele de mãos postas:
" Quero, amiga, que me ajudes
" A pôr este feixe, ás costas. "
Na dor deseja-se a morte;
Mas quando vem faz tremer;
Que é dos viventes o instinto
Antes penar que morrer.*
Semmedo
Lisboa,Fevereiro de 1881.
Quadro
em que imaginei o lenhador ao cair da tarde com o feixe de lenha às
costas. Na envolvência, está representada uma Galinhola em voo. Os
pinhais ao redor, são aqueles que em tempos relativamente recentes por
esta minha terra existiam. Hoje teria que pintar moradias, estradas e
sei lá que mais.
* Web Site desta imagem : agatafm.org
Acrílico S /Tela
Autor. J.P.L.
Quadro de Jean- Francis Millet
A Galinhola - a famigerada « Scolopax rusticola » - foi um dos meus grandes amores do passado » *
( ... ) A dispersão de tons, no tal jeito que por vezes lembra ondulações, separadas por linhas mal definidas e irregulares, a presença ainda, aqui e ali, do preto e do branco, dá à galinhola uma das suas melhores armas de defesa, aquela que lhe vem de se casar admiravelmente com o terreno onde habita e se faz passar despercebida aos nossos olhos. ( ... ) **
* Texto de J.A. Ferreira
** Texto extraído do livro " Galinholas " editado em 1949 por Fernando de Araújo Ferreira
| Agora o mais complicado. A análise do mestre. A avaliar pelo seu ar entusiasmado a obra pareceu-lhe bem |
| ( Nº 6 ) Falta decidir algum colorido |
| ( Nº 5 ) Uma pincelada mais. |
| ( Nº 3 e 4 ) Esboço primitivo da Galinhola |
| ( Nº 2 ) A vegetação toma forma |
| ( Nº 1 ) Paisagem inicial na tela |
Acrílico sobre tela.
Tamanho 24 X 30
Janeiro de 2021
![]() |
| VELHOS AMIGOS |
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| TIAGO, O PASTOR DA QTª DO PISÃO ( Foto de J.P.L. ) |
No campo da Qtª do Pisão o meu amigo Tiago olhava pelo seu rebanho.
Contava ele as narrativas do campo e eu, as da cidade. Ambos
queríamos saber as novidades,ambos fazíamos uns silêncios prolongados
afim de dar ouvidos ao outro.
Neste ano de 2010 será que ainda o encontrarei por lá, aquando dos meus
passeios de bicicleta?
Oxalá que sim. Em sua homenagem apresento aqui
uma minha pintura que retrata aproximadamente este meu amigo.
Acrilico S/Tela.
Formato:40 x 30
Autor. J.P.L.
( ... ) Pois é como lhe digo, meu senhor. Antigamente, a lenha era um
verdadeiro luxo em casa de gente pobre. Muito mais que hoje a luz ou o
gás que estão agora mesmo à mão de semear conforme as posses de cada um.
Assim falava o velho sentado no muro que ladeava a horta tendo a estrada
como extrema. Gostava de se sentar nele sempre que as condições do
clima o permitiam. Então quando o dia se apresentava soalheiro, tirando o
subir a casa para as refeições, deixava as horas escorrerem sempre ali à
espera de alguém com que pudesse desfiar conversa. Era quando as suas
memórias vinham ao de cima num rosário de peças e peripécias de tempos
idos.
Aqui representei a vinda dos patos para o seu local de alimentação. A ideia surgiu com base nas recordações dos meus tempos de jovem em que percorria alguns locais por eles frequentados, sendo este um deles. A Lua no seu esplendor remete para um Outono de outros tempos. O local na altura ( e já lá vão mais de 50 anos ) era o que se chamava " Os Salgados " ali em Samora Correia . Esta cena só era possível pelo sossego então presente.
| Uma noite de Luar nos " Salgados " |
| Assim vejo a chegada dos patos ao local da comida |
| O meu gato mais uma vez aprecia as ideias que lhe apresento |
| Como se observa a admiração é grande pelo quadro. |
| PERDIZES |
| MOLEIROS E MOINHOS |